1. Movimentos do Navio
Translação (3 eixos)
- Surge (avanço/recuo): Movimento longitudinal — avante/ré
- Sway (abatimento lateral): Movimento transversal — BB/BE
- Heave (arfagem): Movimento vertical — sobe/desce
Rotação (3 eixos)
- Roll (balanço): Rotação ao redor do eixo longitudinal
- Pitch (caturro): Rotação ao redor do eixo transversal
- Yaw (guinada): Rotação ao redor do eixo vertical — mais importante nas manobras
Ponto de Rotação (Ponto-Pivô — PP)
- Navio parado com máquina avante: PP muito à vante da seção de meio-navio
- Navio ganhando velocidade: PP se move ligeiramente à ré
- Navio em razão de guinada constante: PP se estabiliza
- Rebocador à vante criando força transversal → PP se desloca à ré (maior braço de alavanca)
- Rebocador à popa: força transversal amplificada pelo grande braço de alavanca (mais eficiente para girar)
Momento de Guinada
- Força × braço de alavanca = momento de guinada
- Rebocador na popa gera maior momento que rebocador a bordo do navio
- Forças hidrodinâmicas de guinada atuam como resistência ao giro (momento anti-horário ou horário)
- Com navio parado: rebocador de proa e popa podem girar o navio em seu próprio eixo
Conceitos Fundamentais
Área de Guinada (IMO MSC.137)
- Diâmetro tático máximo: 5 × LOA
- Avanço máximo na manobra de parar: 15 × LOA
- Ângulo de deriva máximo: 20°
- Velocidade inicial nos testes: 10 nós
Distância de Parada (Stopping Distance)
- Máquina a toda ré — navio em 10 nós
- Exigência IMO: parar em distância ≤ 15 × LOA
- Águas rasas: distância aumenta (maior massa hidrodinâmica)
- Rebocador na popa com ação indireta: força de frenagem >2× BP
Abatimento e Deriva — Conceitos
Abatimento: Movimento de uma embarcação devido à ação de forças ambientais (vento, corrente, ondas) — ângulo formado entre o rumo e a proa.
Ângulo de deriva: Ângulo de ataque gerado no casco por forças de atuadores (propulsor, leme, impelidor). Em rebocadores, o ângulo de casco com a corrente da água é criticamente importante para a segurança (risco de girting).
Massa Hidrodinâmica Adicional: Massa de água arrastada junto ao casco quando o navio se movimenta lateralmente — pode somar-se ao deslocamento no momento de parada, exigindo mais force de rebocadores. Aumenta muito em águas rasas.
2. Hélice e Propulsão
FPP — Fixed Pitch Propeller (Passo Fixo)
- Pás soldadas ao cubo — ângulo imutável
- Reversão de força feita invertendo a rotação do motor
- Ré: força ≈ 40–60% da força avante
- Mais simples e robusto; usado em rebocadores convencionais básicos
- Desvantagem: maior diâmetro de giro quando dois FPP em binário
CPP — Controllable Pitch Propeller (Passo Variável)
- Pás giram ao redor de seus próprios eixos — variam o ângulo (passo)
- Motor mantém rotação constante — controle feito pelo passo
- Reversão instantânea sem parar o motor
- Melhor controle de empuxo — usado em rebocadores azimutais e VS
- Conceito semelhante ao Voith Schneider (variação de ângulo das pás)
Efeito de Pá (Transverse Thrust) — CRUCIAL para provas
- Hélice com rotação à direita (dextrogiro):
- Máquina avante: popa tende a ir para boreste (proa para BB)
- Máquina ré: popa tende a ir para bombordo (proa para BE)
- Efeito mais pronunciado em baixas velocidades (navio quase parado)
- Em navios com 2 hélices contragiratórias: efeitos se cancelam
- Aproveitado em manobras para girar o navio sem leme
Termos Técnicos da Hélice
| Termo | Definição | Impacto Operacional |
|---|---|---|
| Pitch (Passo) | Avanço teórico por volta completa da hélice | Define eficiência propulsiva |
| Slip (Deslizamento) | Diferença entre avanço teórico e real | Slip alto = perda de eficiência |
| Esteira (Wake) | Água que segue o navio pela fricção do casco | Propulsor trabalha em água de menor velocidade → ganho de empuxo |
| Sucção (Suction) | Redução de pressão a ré da hélice | Causa interação com rebocadores próximos à popa |
| Cavitação | Formação e colapso de bolhas de vapor nas pás | Erosão das pás; redução de empuxo; vibração; ruído |
| Tubulão (Kort Nozzle) | Tubo ao redor do propulsor | Ganho de até 30% na tração avante; reduz velocidade máxima |
3. Leme
Forças no Leme
- Sustentação (Lift): Força perpendicular ao fluxo — governa o navio
- Arrasto (Drag): Força oposta ao fluxo — reduz velocidade
- Força de sustentação ∝ V² e ao ângulo de ataque (até ~35°)
- Acima de ~35°: estol — sustentação cai abruptamente
- Eficácia proporcional à velocidade do fluxo sobre o leme
Influência da Velocidade
- Navio parado: leme praticamente ineficaz sem máquina
- Máquina avante cria fluxo sobre o leme → governo possível mesmo em baixas velocidades
- Máquina ré: fluxo sobre leme invertido — governo muito reduzido
- Em navio parado: bow thruster ou rebocadores substituem o leme
Tipos de Leme — Rebocadores
- Leme compensado: Área parcial à vante do eixo de giro — reduz força necessária no leme; mais comum em rebocadores
- Leme semi-compensado: Menor compensação — mais estável mas exige mais esforço
- Leme suspenso (Spade Rudder): Sem suporte de quilha — maior eficiência; bom em reversão
- Leme tipo Flap (Towmaster/High-Lift): Perfil com rabo-de-peixe a ré; 30–40% mais sustentação que leme simples; usado em rebocadores para melhorar empuxo lateral
- Leme de flanco: Posicionado à vante do propulsor; melhora governo em máquina ré (especialmente 2 hélices)
Sistema Towmaster e Lemes de Alto Desempenho
O sistema Towmaster consiste em um grupo de lemes instalados à vante e à ré do tubulão. Lemes cruzados nas extremidades superior e inferior são instalados, e lemes de flanco ficam na parte anterior de cada tubulão. A ré do tubulão há normalmente 3 lemes e à vante 2 lemes. Os ângulos de leme atingem 60°. Proporciona:
- Melhor governo em qualquer condição
- Aumento de potência de empuxo lateral
- Maior eficiência em operações de assistência portuária
Leme com perfil de cunha ("rabo de peixe") a ré — desenvolve 30–40% mais sustentação que leme plano equivalente.
4. Forças Externas
Vento
Fórmula da Força do Vento Lateral (Flat)
F_lat = força lateral do vento (ton-força)
V = velocidade do vento (m/s)
A_lat = área longitudinal (obras mortas) em m² ≈ Borda Livre × Lpp
Já inclui fator de segurança de 25%
| Tipo de Navio | Característica do Vento | Observação |
|---|---|---|
| Porta-contêineres (cheio) | Maior área vélica | Altura dos contêineres é somada à borda livre no cálculo |
| Navio em lastro (alto bordo) | Alta influência | Grande área de obras mortas; casco age como vela |
| Tanker carregado | Baixa influência | Pequena borda livre; grandes obras vivas resistem ao abatimento |
| Graneleiro carregado | Baixa influência | Maior calado → maior resistência lateral ao abatimento |
| Cruise Ship | Muito alta | Enorme superfície vélica lateral |
Corrente
Fórmula da Força da Corrente Lateral (Fcl) — OCIMF/Hensen
F_cl = força lateral da corrente (ton-força)
C_fcl = coef. da corrente lateral (varia com folga sob quilha: 0,06 em águas fundas → 0,29 com folga de 10% do calado)
ρ = densidade da água (1,025 t/m³ em água salgada)
V = velocidade da corrente (m/s)
L_bp = comprimento entre perpendiculares (m)
T = calado (m)
Nota: Adicionar 25% de fator de segurança ao resultado
Corrente × Vento — Comparação
- Corrente: mais previsível e uniforme — atua nas obras vivas
- Vento: mais variável — atua nas obras mortas
- Corrente é função do calado (atua mais em navios carregados)
- Vento é função da borda livre (atua mais em navios em lastro)
- Para terminais, preferir alinhamento longitudinal do berço com a corrente
Fórmula das Ondas — Hensen
L = comprimento entre perpendiculares (m)
H_s = altura significativa das ondas (crista ao cavado, m)
Aplicável apenas a ondas formadas por ação local do vento.
Já inclui fator de segurança de 25%
Fórmula do Deslocamento (Japonesa)
BP mínimo pelo Deslocamento
5. Águas Rasas e Confinadas
Squat — Aumento de Calado em Águas Rasas
- Navio em movimento: zona de pressão reduzida sob o casco
- Corpo do navio afunda levemente (squat)
- Proporcional ao quadrado da velocidade
- Maior em navios com alto coeficiente de bloco (Cb)
- Pode causar encalhe mesmo com folga aparentemente suficiente
- Fórmula de Barras: S = C_b × V² / 100 (metros)
Bank Effect (Efeito de Banco)
- Canal com paredes laterais: fluxo acelerado entre casco e margem mais próxima → pressão reduzida
- Navio é atraído para o banco mais próximo (sucção)
- Zona de alta pressão na proa → efeito "bow cushion" empurra a proa para o banco oposto
- Resultado: proa tende a afastar do banco, popa tende a se aproximar (guinada para o banco)
- Quanto maior a velocidade, maior o efeito
Efeitos Gerais das Águas Rasas
- Prejudica o governo do navio
- Reduz a velocidade de giro
- Aumenta o diâmetro tático e o avanço
- Aumenta o tempo e distância de parada
- Aumenta a força da corrente (C_fcl até 0,29)
- Exige bollard pull adicional para compensar a massa hidrodinâmica aumentada
Interação Navio-Canal (Following Water e Bank Suction)
Em canal, dois efeitos simultâneos:
- Pressão a ré da proa: Zona de baixa pressão faz o navio ser "aspirado" para a margem mais próxima.
- "Following water" do canal: Água que flui na mesma direção do navio, na camada próxima ao fundo/paredes, cria um efeito de governo adicional — navio tende a se alinhar com o canal.
- Interação navio-rebocador: Velocidades de escoamento aumentadas pelo canal e pelo próprio casco do navio afetam drasticamente o desempenho do rebocador (efeito de interação).
6. Sistemas de Propulsão
| Sistema | Princípio | Vantagens | Desvantagens | Uso Principal |
|---|---|---|---|---|
| Convencional (FPP/CPP fixo) |
Hélice + leme | Simples, robusto, manutenção fácil | Manob. limitada; força a ré ≈50%; risco de girting | Rebocadores antigos, baixa potência |
| Voith-Schneider (VS / Cicloidal) |
Discos com pás verticais giratórias | Omnidirecional; resposta instantânea; ideal para escort | Calado grande; casco reto/largo; ≈1,15 t/100bhp | Tratores de proa; escort |
| Azimutal (Z-drive) |
Hélice em nacele giratória 360° | Omnidirecional; menor calado que VS; versátil | Manutenção mais complexa; custo maior | Tratores, ASD, tratores-reversos |
| ASD (Azimuth Stern Drive) | 2 propulsores azimutais na popa | Flexível: opera como conv. ou trator reverso; bom offshore | Opção mais comum no Brasil | Versatilidade portuária e offshore |
| Bow/Stern Thruster | Propulsor em túnel transversal | Melhora manobrabilidade em baixas velocidades | Eficaz apenas a <2 nós; perda de 50% da eficiência a 2 nós | Complemento em navios e rebocadores |
Voith-Schneider (VS) em Detalhe
- Sistema de propulsão cicloidal: dois conjuntos de pás verticais fixados em discos horizontais
- Discos giram em velocidade constante; força controlada variando o ângulo das pás
- Dois comandos: volante (transversal) + duas alavancas (longitudinal)
- Necessita de skeg de grandes proporções a ré para estabilidade direcional
- Principal vantagem: velocidade de resposta altíssima — rotação do motor mantida constante
- Tração estática: ≈1,15 tf/100 bhp (inferior ao azimutal de passo fixo aberto: 1,3 tf/100 bhp)
- Grande calado — formato de fundo reto/largo dificulta operação em mar aberto
- VS tratores reversos: ideais para operações de escort (pás a ré, ponto de reboque na proa)
Comparativo de Tração por Propulsão
| Tipo de Propulsão | tf / 100 bhp | tf / 100 kW |
|---|---|---|
| Voith-Schneider (VS) | 1,15 | 1,55 |
| Hélice de passo fixo aberto | 1,30 | 1,80 |
| Azimutal em tubulão | ~1,25–1,35 | ~1,70–1,85 |
Bow Thruster e Stern Thruster — Limitações
- Eficácia do thruster é drasticamente reduzida com velocidade do navio
- A 2 nós de velocidade: eficiência reduzida em 50%
- A 4 nós: eficiência próxima a zero
- Navio com bow thruster pode dispensar 1 rebocador em atracação/desatracação — mas NÃO em serviço de escort
- Fórmula NORMAM-08: desconto = 2 × potência nominal dos thrusters / 100 tf
7. Tipos de Rebocadores Portuários
| Tipo | Propulsão | Posição Prop. | Extremidade de Trabalho | BP típico (tf) | Característica Principal |
|---|---|---|---|---|---|
| Convencional 1 hélice |
FPP | Popa (fixo) | Popa (gato de escape) | 10–30 | Mais simples; força ré ≈50%; uso em locais calmos |
| Convencional 2 hélices |
FPP/CPP | Popa (fixo) | Popa | 20–50 | Melhor que 1 hélice; binário melhora manob.; ainda limitado |
| Trator VS | Voith-Schneider | Proa (cicloidal) | Popa (guincho de popa) | 30–65 | Omnidirecional; resposta rápida; ideal escort; grande calado |
| Trator Azimutal | Azimutal (2 prop.) | Proa | Popa | 30–80 | Similar ao VS; menor calado; mais econômico |
| Trator-Reverso Azimutal |
Azimutal | Popa | Proa (guincho de proa) | 35–80 | Opera de popa com cabo na popa do navio; gato popa próximo ao prop → não usa cabo de popa |
| ASD | Azimutal | Popa | Proa (guincho) ou Popa (gato) | 35–80 | Mais flexível: opera como convencional OU trator-reverso; opção mais comum no Brasil |
| Ship Docking Module (SDM) |
2 azimutais (popa + proa, lados opostos) | Proa + Popa | Todo o costado | 40+ | Boca >50% comprimento; push/pull em qualquer direção; 95% BP em qualquer ângulo |
| Rotor Tug | 3 azimutais (2 proa + 1 ré no lugar do skeg) | Proa (2) + Popa (1) | Versátil | 75+ | Novidade de maior sucesso; velocidade lateral até 6 nós; ideal para escort |
Resumo de Manobrabilidade por Tipo
Tratores (VS / Azimutal)
- Criados para operar com cabo na proa do navio
- Aproximam-se de popa (propulsores afastados do casco)
- Navegam de ré com mesma desenvoltura que avante
- Com cabo na proa do navio em velocidade: mais seguros que convencionais, porém menos eficientes (trator resiste mais pela posição do propulsor e skeg)
Tratores-Reversos / ASD
- Utilização clássica: cabo passado na popa do navio
- Proa é sempre a extremidade de trabalho
- Com cabo na popa do navio: excelente ação direta e indireta
- ASD: com cabo na proa do navio usando gato de popa → eficiência igual ao convencional (mesmos riscos)
- Forma do casco mais hidrodinâmica → vantagem em mar aberto
Convencional — Limitações
- Performance acima de 4 nós do navio: muito baixa
- Força a ré = 50% da força declarada (se não testada separadamente)
- Dificuldade de manter posição perpendicular com corrente ou seguimento do navio
- Risco de girting com cabo na popa do navio em velocidade
- Vantagem: custo menor; adequado para portos calmos
8. Métodos de Assistência
Com Cabo (Método Europeu / "Cabo Longo")
- Cabo sai da proa ou popa do navio pela buzina do centro
- Rebocador nas extremidades do navio → maior braço de alavanca
- Tração máxima quando cabo faz 90° com o eixo do navio
- Tempo de reação maior (rebocador precisa se reposicionar)
- Requer espaço para manobra do conjunto
No Costado (Método Americano / "Push-Pull")
- Rebocador no costado do navio — sem cabo longo
- Muda de "empurra" para "puxa" instantaneamente
- Menor braço de alavanca (longe das extremidades)
- Mais rápido; ideal para giro e controle de velocidade lateral
- Perda de 20% do BP (azimutais/cicloidais) por operar a bordo do navio com corrente de descarga
Métodos por Posição na Popa (Ação Direta e Indireta)
Ação Direta — O mais natural
- Rebocador puxa na direção desejada, prolongando o cabo
- Extremidade de trabalho no sentido em que se quer a força
- Utilizada em baixas velocidades do navio ou parado
- Com aumento de velocidade do navio, o rebocador leva mais tempo para se posicionar
- Método mais comum no cotidiano portuário
Ação Indireta — Apenas na popa do navio (velocidades >5 nós)
- Extremidade de trabalho na direção da força desejada
- Cabo fazendo aproximadamente 45° com a linha de centro do navio
- Casco do rebocador com ângulo de no máximo 30° em relação à água
- Força gerada pela pressão da água no casco → pode chegar a 2× o bollard pull quando velocidade alcança 10 nós
- Mais eficiente quanto maior o seguimento do navio
- Tratores azimutais e VS são mais eficientes neste método do que ASD
Ação Indireta Forçada — Velocidades moderadas (3–7 nós)
- Variação da indireta: combina pressão do casco + força de máquina do rebocador
- Rebocador abre o ângulo (como na indireta) e simultaneamente aciona a máquina
- Forças no cabo chegam a 2,5× o bollard pull (superiores à indireta pura)
- Velocidade entre 3 a 7 nós
- Usado em situações onde a indireta pura ainda não é eficiente, mas a direta também não
Arrasto Transverso — Frenagem de emergência em alta velocidade
- Propulsores azimutais direcionados transversalmente para fora
- Usada para quebrar seguimento a vante com cabo na popa do navio
- Quando velocidade reduz a menos de 4 nós: propulsores redirecionados progressivamente para avante
- Fabricantes: força no cabo >2× BP (prática: ≈1,5×)
- Aplicável em emergências sem sobrecarregar os motores
- Também chamado de "Modo de Arrasto Reverso" (Aquamaster)
Serviço de Escort
Escort — Rebocadores em Velocidade (>6 nós)
- Rebocador(es) com classificação escort acompanham o navio desde a entrada no canal
- Com cabo passado (modo ativo) ou sem (modo passivo)
- Acima de 6 nós: forças hidrodinâmicas do casco do rebocador superam a tração estática dos propulsores
- Rotor Tug e VS trator-reverso: os mais eficientes para escort
- VS trator: desempenho diminui rapidamente acima de 5–6 nós no modo de cabo longo
- Objetivo principal: prevenção de abalroamento/encalhe de navios-tanque em canais restritos
9. Segurança com Rebocadores
Girting (Embarcamento) — O Perigo Principal
- Ocorre quando o cabo de reboque forma ângulo crítico com o plano do convés do rebocador
- Navio com velocidade excessiva → cabo puxa o costado do rebocador → rebocador vira com o costado para baixo
- Especialmente perigoso para rebocadores convencionais com cabo na popa do navio em velocidade
- Risco aumenta quando o gato de desengate rápido não funciona (forças no cabo muito altas)
- Prevenção: gato radial de reboque (permite que cabo deslize para posição segura)
- Rebocadores com ponto de reboque radial ou sistema de cabo guia (gob rope) reduzem o risco
Tripping (Capotamento)
- Grande guinada indesejada de um rebocador quando trabalhando com cabo longo
- Rebocador venha a tocar o costado do navio em aproamento oposto
- Causas: velocidade excessiva do navio + ângulo de reboque inadequado + instabilidade do rebocador
- Diferença de girting: tripping é consequência de guinada súbita; girting é tombamento lateral pelo cabo
Tipos de Cabo — Wire vs. Hawser
| Característica | Cabo de Aço (Wire) | Cabo de Fibra (Hawser/Synthetic) |
|---|---|---|
| Elasticidade | Baixa (≈0,5% elongação) | Nylon: ≈20%; Poliéster: ≈15%; HMPE (Dyneema): ≈1% |
| Peso | Pesado (afunda) | Polipropileno: flutua; Dyneema: quase flutua; Nylon: afunda |
| Resistência dinâmica | Baixa — choque transferido diretamente | Nylon/Poliéster: amortece bem; HMPE: pouco amortecimento |
| Risco de chicoteada | Baixo (pouca energia armazenada) | Aramid/HMPE: muito alto — partem sem aviso; Nylon: moderado |
| Manejo | Difícil em grandes bitolas | Mais fácil — tripulações reduzidas |
| Escort tugs | Exigência adicional de desempenho | HMPE preferido para escort por leveza e resistência |
Comprimento do Cabo de Reboque — Impacto na Manobra
Trabalhar com cabo mais curto tem três vantagens importantes:
- Menor tempo de reação dos rebocadores
- Menor largura da trajetória do navio
- Menor espaço necessário para a manobra do conjunto
Extremamente importante em áreas portuárias restritas. O comprimento de cabo é inversamente proporcional à rapidez de resposta do rebocador, mas diretamente proporcional ao risco de embarcamento (maior alavanca no cabo).
Desengate Rápido — Sistema Crítico
- O gato de desengate rápido é o último recurso para evitar girting/tripping
- Problema comum: forças no cabo muito altas impedem abertura do gato em emergência
- Guincho de reboque com sistema de desengate acionável do passadiço é mais seguro
- Guincho automático: paga cabo quando carga ultrapassa valor pré-ajustado
- Gato radial ou sistema equivalente: permite que o cabo deslize para posição menos perigosa
10. Bollard Pull — Cálculo e Número de Rebocadores
Fatores de Eficiência do Bollard Pull
| Situação | BP efetivo (%) |
|---|---|
| Convencional puxando a vante (método cabo longo) | 80% |
| Convencional puxando a vante (costado — descarga no navio) | 60% |
| Convencional puxando a ré (BP a ré não testado) | 50% |
| Convencional a ré (costado — descarga no navio) | 30% |
| Azimutal/cicloidal — método costado (push-pull) | 80% − 20% = 64–80% |
Número de Rebocadores — Padrão Internacional
| Deslocamento do Navio | Nº Rebocadores (padrão médio) | BP Total Típico |
|---|---|---|
| < 80.000 t | 2 ou 3 | Variável pelo porto |
| 80.000–200.000 t | 3 | 150–200 tf |
| > 200.000 t | 4 a 6 | 200–500+ tf |
Princípios sobre o Número
- Mínimo: 2 rebocadores (1 pode ser insuficiente)
- Máximo eficiente: 6 (acima disso, sobreposição de efeitos)
- Menos rebocadores mais potentes = mais eficiente e econômico
- Muitos rebocadores fracos = maior resiliência em caso de falha
- NORMAM-08: mínimos definidos por porte bruto do navio
Desconto por Bow/Stern Thruster
- Navio com thruster: pode dispensar 1 rebocador em atracação
- Em escort: normalmente NÃO dispensa rebocadores
- Lemes especiais também podem dispensar 1 rebocador
- Manter ao menos 1 rebocador em stand-by é regra geral
Método Europeu vs. Método Americano — Pontos de Transição
Método Europeu (cabo longo):
- Rebocadores com cabo puxam o navio até distância menor que o comprimento do cabo
- Nesse ponto, rebocadores param e mudam de bordo
- Podem precisar de embarcações de apoio para passagem de cabos de amarração
- Com 2 rebocadores apenas: necessita embarcações de apoio
Método Americano (costado):
- Supera a dificuldade de transição do método europeu
- Mais ágil; rebocadores mudam de empurra para puxa sem reposicionamento
- Adicionar 20% de fator de segurança para azimutais no push-pull
11. Manobras Portuárias
Serviços dos Rebocadores no Porto
Controles Fundamentais na Atracação
- Controlar velocidade transversal em direção ao cais
- Compensar ventos e correntes durante aproximação
- Com navio parado: velocidade ao cais quase nula — rebocadores controlam velocidade lateral
- Posição dos rebocadores afeta o braço de alavanca disponível
- Rebocador de popa: melhor posição quando há problemas de governo no navio
Comunicação Prático ↔ Rebocador
- Sistema básico de ordens uniformizado é fundamental
- Mudanças de procedimento de comunicação → risco de equívocos
- Prático deve informar ao rebocador: tipo de manobra planejada, velocidade esperada, posição desejada
- Comandante do rebocador deve informar ao prático: capacidades do rebocador, qualquer problema
- Sinalização de apito: padrões portuários locais
Passagem do Cabo de Reboque — Pontos Críticos
- Propulsor do navio deve ser parado quando rebocador está passando cabo na popa ou próximo a ela
- Se o propulsor de passo variável precisar ser utilizado: ajustar para mínimo passo
- Acionamento repentino do propulsor enquanto rebocador está próximo = situação muito perigosa (escoamento atinge rebocador)
- Tripulação do navio deve guarnecer a proa em tempo hábil com retinidas adequadas e de comprimento apropriado
- Ao passar cabo na proa: rebocador aproxima-se com cautela perpendicular ao costado
Fundeio
Âncoras e Serviço de Fundeio
- Âncora pode ser usada como freio / ponto de pivô em manobra de atracação
- Spring lines, breast lines, head/stern lines — todas têm função específica no controle de posição
- Rebocador pode auxiliar no giro do navio fundeando por âncora (pivô)
- Áreas de ancoragem próximas às bacias de evolução: evitar conflito com navio em manobra
- Fundeio em duas âncoras: maior controle em correntes variáveis
Manobras com Gelo — Procedimentos Especiais
- Rebocadores com tubulões azimutais podem ter tubulões bloqueados pelo gelo (risco de parada)
- Rebocadores convencionais e sem tubulão preferidos em condições de gelo intenso
- Procedimento típico: espringue de proa + lançante de proa passados à vante; rebocador de popa com cabo longo afasta a popa do berço; segundo rebocador empurra a popa em direção ao berço
- Manobras com gelo levam muito mais tempo
- Quando girar o navio após desatracação: preparar área aberta no gelo antes da saída
Defensas dos Rebocadores
- Projetam tanto o navio quanto o rebocador de danos no contato
- Diminuem tendência do rebocador a deslizar pelo costado do navio ao empurrar em ângulo
- Tipos: borracha maciça, pneumáticas, espuma, lubrificadas com água (reduzem fricção)
- Pressão permissível no costado varia com tipo e tamanho do navio (ex.: navios de passageiros têm menor tolerância)
- Defensas "que não marcam" para navios com costados brancos/cinza
12. Ponto de Reboque, Skeg e Efeitos de Interação
O Triângulo das Três Forças
- Centro de empuxo do propulsor (T)
- Ponto de reboque (PT) — onde o cabo está conectado
- Centro lateral de pressão (CT) — resultante das forças hidrodinâmicas no casco
A posição relativa dessas três forças determina o desempenho do rebocador. Quanto menor a distância CT em relação à PT, melhor o desempenho no modo direto.
Localização do Ponto de Reboque
- Rebocadores tratores: ponto de reboque a ré → próximo ao CT → bom desempenho direto; em velocidade, cabo alinha o rebocador com o navio
- Rebocadores convencionais: ponto de reboque à popa → ponto fixo → depende do leme para governo
- Ponto de reboque muito à vante (trator): em velocidades altas, força de arrasto aumenta → rebocador pode se tornar incapaz de reagir adequadamente
Skeg — Extensão de Quilha
- Nos tratores VS/azimutais: grande skeg a ré é necessário para estabilidade de governo (compensa a localização dos propulsores a vante)
- Skeg dinâmico (escort): cria forças de sustentação hidrodinâmica quando o rebocador navega em ângulo — fundamental para o modo indireto
- Rotor Tug: terceiro propulsor azimutal no lugar do skeg — aumenta manobrabilidade e velocidade lateral
- Box keel: quilha retangular que se estende do skeg de ré até a proa — melhora estabilidade de rumo e fornece sustentação adicional ao navegar a ré (rebocadores escort ASD)
Efeitos de Interação Rebocador-Navio
Interações Críticas
- Interação propulsor-casco: Descarga do propulsor do rebocador atinge o casco do navio → redução de 20% no BP efetivo
- Atração entre cascos: Ao se aproximar pelo través da popa — zona de baixa pressão entre rebocador e navio atrai o rebocador para o casco (efeito Bernoulli)
- Onda de proa do navio: Pode lançar o rebocador a velocidade maior que sua capacidade máxima → risco de perda de controle
- Águas rasas/confinadas: Aumentam velocidade de escoamento → amplificam todos os efeitos de interação
- Esteira e sucção da popa: Variações de pressão ao redor da popa do navio criam momentos de guinada no rebocador que podem surpreender comandantes inexperientes